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ABRAHCT — Associação Brasileira de Hospitais e Clínicas de Transição

Tempo médio de permanência

A definição que a associação adota, por que as contas em uso divergem, e uma calculadora para conferir se os seus números fecham.

Tempo médio de permanência não é um número: são quatro contas diferentes que circulam no setor com o mesmo nome.

A diferença entre elas não é sutil. Aplicadas à mesma unidade, no mesmo mês, podem devolver resultados que diferem em uma ordem de grandeza. Duas instituições com a mesma realidade assistencial informam números incomparáveis, e a comparação entre elas passa a medir a escolha de fórmula, não o cuidado prestado.

Enquanto o cálculo não for o mesmo em todas as unidades, qualquer média setorial é a média de grandezas distintas. Esta página fixa a definição que a ABRAHCT adota e oferece a ferramenta para conferir se os seus números são consistentes entre si.

Calculadora de consistência

Os dois lados têm de fechar.

O total de paciente-dias de um período pode ser somado por dois caminhos: pelo lado da capacidade e pelo lado do movimento. Os dois têm de dar o mesmo número. Não é convenção, é contabilidade.

leitos operacionais × dias do período × ocupação
= saídas no período × permanência média

É essa identidade que separa um conjunto de números coerente de um que apenas parece. Preencha abaixo com os dados da sua unidade: se os lados não fecharem, um dos quatro campos está sendo apurado com definição diferente dos outros três.

Em condição de receber paciente no período, não os instalados

30 para um mês, 90 para um trimestre, 365 para o ano

%

Média do período

Altas, óbitos e transferências externas. Não conta transferência interna

Opcional. Preencha para conferir se bate com os outros números

Preencha leitos, dias, ocupação e saídas.

Os números ficam no seu navegador. Nada é enviado à ABRAHCT.

A definição

O que a ABRAHCT chama de permanência média.

Média de permanência é a soma dos pacientes-dia do período dividida pelo número de saídas do mesmo período, contadas as altas, os óbitos e as transferências externas — a fórmula da Padronização da Nomenclatura do Censo Hospitalar do Ministério da Saúde (Portaria SAS/MS 312/2002), a mesma da ficha E-EFI-05 do QUALISS da ANS e do Observatório ANAHP.

Pacientes-dia pelo censo da meia-noite

A soma diária dos pacientes internados às 00:00, como manda a ficha da ANS. Paciente que interna e sai no mesmo dia conta um paciente-dia.

Saída é alta, óbito ou transferência externa

Transferência entre leitos ou setores da mesma instituição não é saída e não encerra a internação.

Leitos-dia operacionais

Na taxa de ocupação usada para validar, o denominador exclui leitos bloqueados e inclui leitos extras — leitos em condição real de receber paciente.

Mediana e percentis vêm da coorte de saídas

A duração de cada internação encerrada (saída menos entrada; mesmo dia conta 1) é o dado de que saem a mediana, o P25 e o P75, publicados sempre junto da média.

As quatro contas

Por que os números não batem entre instituições.

Pacientes-dia sobre saídas

Indicador oficial

Divide a soma dos pacientes-dia do período pelo número de saídas do mesmo período (altas, óbitos e transferências externas).

É a fórmula do padrão nacional: Portaria SAS/MS 312/2002, ficha ANS QUALISS E-EFI-05 e Observatório ANAHP calculam assim. É o número comparável entre instituições e com o resto do sistema de saúde.

Duração das internações encerradas (coorte de saídas)

Complementar

Toma as internações encerradas no período e mede a duração completa de cada uma: data de saída menos data de entrada.

É daqui que saem a mediana e os percentis, que a média não revela. Em unidade estável, a média da coorte converge para o indicador oficial.

Permanência dos pacientes internados hoje

Incorreto

Mede há quanto tempo estão internados os pacientes presentes na data do censo.

Superestima sempre: quem fica 200 dias aparece em 200 censos diários, quem fica 10 aparece em 10. O paciente de longa permanência entra na conta vinte vezes mais.

Pacientes-dia sobre admissões

Incorreto

Usa admissões no lugar de saídas no denominador.

O erro mais comum de planilha. Em unidade que cresce, subestima; em unidade que encolhe, superestima.

Como publicar

Média sozinha informa mal.

A distribuição de permanência em transição de cuidados é assimétrica à direita: um punhado de pacientes muito longos desloca a média para longe do caso típico. Duas unidades com a mesma média podem ter realidades assistenciais bem diferentes.

Por isso a associação publica sempre em conjunto mediana, média, percentil 25 e percentil 75, com o número de internações encerradas que compõem a estatística. A mediana é o caso típico; a distância entre ela e a média mede a assimetria; os percentis mostram a faixa onde está a metade central dos casos.

Situação deste documento

Definição adotada em agosto de 2026, aplicável aos levantamentos da associação e a todo indicador de permanência que ela venha a publicar. Ela não é criação da ABRAHCT: é o padrão nacional — Portaria SAS/MS 312/2002 (Padronização da Nomenclatura do Censo Hospitalar), ficha E-EFI-05 do QUALISS da ANS e Observatório ANAHP usam a mesma fórmula — aplicado com as regras operacionais explícitas que faltavam para o nosso segmento. Os 57 dias de permanência média que circulam no setor são de levantamento de terceiro, divulgado pela Medicina S/A em abril de 2025, e o método com que foram apurados não é conhecido — por isso seguem citados com atribuição ao veículo em Dados do setor, e não como número da ABRAHCT.

Críticas e sugestões à metodologia: abrahct@abrahct.org.br